quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A menina que roubava livros - Markus Zusak

A menina que roubava livros foi a obra que mais me tirou lágrimas. 

Mostrando a grandeza do amor, da amizade, o sabor das coisas simples, e ao mesmo tempo demonstrando a tristeza, as dificuldades de um povo que era obrigado a conviver com a ignorância dos atos de Hitler. Este livro me ensinou que não foram somente os judeus que sofreram na Alemanha nazista, mas sim o próprio povo, os pobres da Alemanha em meio a uma guerra e a tantos problemas internos de um país cheio de brutalidade.

Nossa querida personagem Liesel e as pessoas de sua vida – Rudy Steiner, seu melhor amigo e amor, Seus pais de criação Rosa e Hanns Hubermann, que ela amava mais que tudo, Max Vanderburg, seu amigo judeu que lhe ensinou que a amizade transpassa qualquer barreira... – ensinam , em meio a tantas tragédias, lições de vida importantíssimas. Nos mostram como ser feliz em meio a uma vida de tantas dificuldades. Nos mostra que o amor está acima de tudo, que as coisas boas são as mais simples, que devemos aproveitar cada momento...

Entre 1939 a 1943 muitas coisas se passam na vida desta menina, que chega à casa dos pais de criação com 10 anos de idade, com a recém-perda do irmão mais novo e o adeus à mãe biológica... E seu primeiro livro roubado embaixo do braço.

O manual do coveiro, e outros livros que ela adquiriu durante estes anos – fossem roubados ou ganhados – participaram ativamente da vida desta menina, ajudaram-na a viver e a transpor muitas dificuldades.

É uma historia triste, histórica, romântica, alegre... Mexe com os sentimentos e os transforma em um turbilhão. Você deseja que os personagens tenham sido reais, ao mesmo tempo em que deseja que não tenham sofrido. Você ri, chora, se emociona, torce... Não há outras palavras para descrever além de perfeito.

E a narradora então, maravilhosa. A própria morte conta a historia de Liesel. A própria morte narra a guerra, seus mortos, a cor do céu de cada dia.

E Markus Zusak realmente ganhou meu coração e meu respeito. Difícil achar um autor que narre uma historia com tanta perfeição, tanta paixão, tanta devoção... Estou anciosa para ler outros livros dele.
Declaro aqui minha paixão pela menina que roubava livros e por todos os personagens dessa série maravilhosa. Espero que vocês possam ter a oportunidade de ler e sentir o que senti. É avassalador.




“Odiei as palavras e as amei, e espero tê-las usado direito.”
Markus Suzak - A menina que roubava livros - Liesel

“-Que tal um beijo, Saumensch?
Ficou parado mais alguns instantes, com água pela cintura, antes de sair do rio e lhe entregar o livro. Tinha as calças grudadas no corpo e não parou de andar. Na verdade, acho que ele sentiu medo. Rudy Steiner ficou com medo do beijo da menina que roubava livros. Devia ter ansiado muito por ele. Devia amá-la com uma intensidade incrível. Tanto que nunca mais tornaria a lhe pedir seus lábios, e iria para sua sepultura sem eles.”
Markus Suzak - A menina que roubava livros

“Não ir embora: Ato de amor e confiança.”
Markus Suzak - A menina que roubava livros

“..Anos antes, quando os dois haviam apostado corrida num campo lamacento, Rudy era um conjunto de ossos montado às pressas, com um riso irregular e hesitante. Sob o arvoredo, nessa tarde, era um doador de pão e ursinhos de pelúcia. Um tríplice campeão da Juventude Hitlerista. Era seu melhor amigo. E ESTAVA A UM MÊS DE SUA MORTE... ESTAVA SE DESPEDINDO DELE, E NEM SABIA...”
Markus Suzak - A menina que roubava livros

“Não quero ter esperança de mais nada. Não quero rezar para que Max esteja vivo e em segurança. Nem Alex Steiner, porque o mundo não os merece.”
Markus Suzak - A menina que roubava livros - Liesel

“Decididamente, eu sei ser animada, sei ser amável. Agradável. Afável. E esses são apenas os As. Só não me peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo.”
Markus Suzak - A menina que roubava livros – A morte

“...Um dia, porém, ela conheceu um homem que era desprezado por sua pátria, embora tivesse nascido nela. Os dois se tornaram bons amigos e, quando o homem adoeceu, a sacudidora de palavras deixou uma única lagrima cair sobre o rosto dele. A lagrima era feita de amizade – uma só palavra – e secou e se tornou uma semente entre as outras arvores. Regou-a todos os dias.”
A sacudidora de palavras em A menina que roubava livros


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A metamorfose - Franz Kafka

Texto com linguagem simples, mas conteúdo complexo e apurado. A historia deixa claro uma critica social da época, relatando a vida de Gregor e sua relação com o trabalho e com seus familiares, demonstrando sua realidade em vista da vida que levava com a necessidade de sustentar a família.
Kafka parece querer mostrar neste texto o quanto as pessoas são mais importantes enquanto uteis, inclusive para os entes queridos. Assim que Gregor deixa de ser o pilar financeiro da casa e se tornou um ser repulsivo, incompreensível, assustador e inútil, a família, que no começo - ainda na esperança que ele voltasse ao normal – aturava e cuidava como podiam, passa, depois de certo tempo, a tratá-lo mal como se fosse apenas um peso, um obstáculo. Como se ele fosse o culpado por ter deixado eles na situação que se encontram, e demonstram que ele realmente deixa de ser Gregor e passa a ser, de verdade, um animal.
Gregor mesmo passa a se ver assim, e fica confuso quanto a sua situação, acreditando que realmente poderia ter virado um monstro.
É interessante ver, também, que, logo depois que Gregor deixa de sustentar a família, que não trabalhava e vivia em situação de conforto graças a Gregor (este declara que a família não tinha condições realmente de trabalhar) esta passa também por uma “metamorfose”, pois aprendem a se virar, demonstrando que não trabalhavam por questões de boa vontade.
Qual a lição final do livro? Realmente acredito que possa ser interpretado pelo ponto de vista. Eu acredito que seja uma critica social e ao próprio ser humano. Parece ser uma visão clara do autor quanto à época, assim quanto a vida.

"A metamorfose de Kafka não conta apenas a história de um homem que se transformou num inseto. É sobretudo uma história de alerta à sociedade e aos comportamentos humanos. Nesta história, Kafka presenteia-nos com a sua escrita sui generis, retratando o desespero do homem perante o absurdo do mundo." Wikipédia

Onde encontrar: L&PM Pocket


sábado, 24 de julho de 2010

O último sortilégio - Fernando Pessoa


"Já repeti o antigo encantamento,
E a grande Deusa aos olhos se negou.
Já repeti, nas pausas do amplo vento,
As orações cuja alma é um ser fecundo.
Nada me o abismo deu ou o céu mostrou.
Só o vento volta onde estou toda e só,
E tudo dorme no confuso mundo.

"Outrora meu condão fadava, as sarças
E a minha evocação do solo erguia
Presenças concentradas das que esparsas
Dormem nas formas naturais das coisas.
Outrora a minha voz acontecia.
Fadas e elfos, se eu chamasse, via.
E as folhas da floresta eram lustrosas.

"Minha varinha, com que da vontade
Falava às existências essenciais,
Já não conhece a minha realidade.
Já, se o círculo traço, não há nada.
Murmura o vento alheio extintos ais,
E ao luar que sobe além dos matagais
Não sou mais do que os bosques ou a estrada.

"Já me falece o dom com que me amavam.
Já me não torno a forma e o fim da vida
A quantos que, buscando-os, me buscavam.
Já, praia, o mar dos braços não me inunda.
Nem já me vejo ao sol saudado ergUida,
Ou, em êxtase mágico perdida,
Ao luar, à boca da caverna funda.

"Já as sacras potências infernais,
Que, dormentes sem deuses nem destino,
À substância das coisas são iguais,
Não ouvem minha voz ou os nomes seus.
A música partiu-se do meu hino.
Já meu furor astral não é divino
Nem meu corpo pensado é já um deus.

"E as longínquas deidades do atro poço,
Que tantas vezes, pálida, evoquei
Com a raiva de amar em alvoroço,
lnevocadas hoje ante mim estão.
Como, sem que as amasse, eu as chamei,
Agora, que não amo, as tenho, e sei
Que meu vendido ser consumirão.

"Tu, porém, Sol, cujo ouro me foi presa,
Tu, Lua, cuja prata converti,
Se já não podeis dar-me essa beleza
Que tantas vezes tive por querer,
Ao menos meu ser findo dividi
­Meu ser essencial se perca em si,
Só meu corpo sem mim fique alma e ser!

"Converta-me a minha última magia
Numa estátua de mim em corpo vivo!
Morra quem sou, mas quem me fiz e havia,
Anônima presença que se beija,
Carne do meu abstrato amor cativo,
Seja a morte de mim em que revivo;
E tal qual fui, não sendo nada, eu seja!"


Retirado de: http://bit.ly/9ZMIFQ

Fernando Pessoa - MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.


Retirado do site: http://bit.ly/32LiN

Dona Doida - Adélia Prado


Uma vez, quando eu era menina, choveu grosso
com trovoadas e clarões, exatamente como chove agora.
Quando se pôde abrir as janelas,
as poças tremiam com os últimos pingos.
Minha mãe, como quem sabe que vai escrever um poema,
decidiu inspirada: chuchu novinho, angu, molho de ovos.
Fui buscar os chuchus e estou voltando agora,
trinta anos depois.  Não encontrei minha mãe.
A mulher que me abriu a porta, riu de dona tão velha, 
com sombrinha infantil e coxas à mostra. 
Meus filhos me repudiaram envergonhados,
meu marido ficou triste até a morte,
eu fiquei doida no encalço.
Só melhoro quando chove.

O texto acima foi extraído do livro "
Poesia Reunida", Editora Siciliano - 1991, São Paulo, página 108.

Saiba mais sobre
Adélia Prado e sua obra em "Biografias".

terça-feira, 22 de junho de 2010

Porque a leitura no Brasil é tão deficiente

Matéria da Agência Senado publicada pelo Blog da Folha/PE em 14 de março de 2009:

O brasileiro lê bem menos que os habitantes dos países desenvolvidos.

Aqui, são, em média, 2,5 livros por ano, contra 10 nos Estados Unidos ou 15 em países como a Suécia ou a Dinamarca. Mas apenas 0,9 desses 2,5 livros anuais lidos não são obras didáticas, que as escolas exigem dos alunos. As diferenças regionais brasileiras também conspiram contra o crescimento do hábito da leitura, já que só há livrarias em 30% dos 5.564 municípios.

Não é exato o número de livrarias existentes no país porque é fácil obter-se um registro de funcionamento, mesmo que o negócio principal não seja a venda de livros. Mas é seguro afirmar-se que o Brasil tem hoje menos de 2.700 livrarias, 70% das quais são de pequeno e médio porte. Um número muitíssimo inferior ao que seria ideal, na visão da Organização das Nações Unidas (ONU) para um país com 190 milhões de habitantes.

Para encontrar as raízes dessa nossa deficiência vergonhosa, pesquisamos e encontramos uma das explicações para o fato, e ela está na história de nossa colonização.
Reproduzimos abaixo, parte do artigo “A CENSURA NO BRASIL- Do século XVI ao século XIX, de Aguinaldo Martino e Ana Paula Sapaterra, mestrandos da USP.

Em 5 de abril 1768, instituída por ordem do Marquês de Pombal, a Real Mesa Censória unifica o sistema censório anteriormente dividido entre o Santo Ofício, o Ordinário e o Desembargo do Paço. A intenção de Pombal era secularizar a censura, para atender às necessidades do Estado. Então, o rei nomeava os censores, que eram Estudos Lingüísticos XXXV, p. 234-243, 2006. [ 236 / 243 ] eclesiásticos e funcionários leigos. Cabia à Real Mesa Censória fiscalizar a impressão e a circulação de livros no Reino e também aqueles vindos de outros lugares, pois nenhum material impresso deveria entrar na Colônia sem antes ser submetido à vistoria dos censores régios. Em 18 de maio de 1768, estabeleceu-se um regimento no qual constavam todas as atribuições e normas de funcionamento da Mesa. O seu regimento previa que os censores fossem particularmente ativos contra livros que disseminassem heresias, superstições, sátiras pessoais e críticas sediciosas ao Estado. Destacava-se que estavam proibidas “as pequenas obras dos pervertidos filósofos dos últimos tempos”, que deveriam ser conhecidas apenas pelos intelectuais capazes de refutá-las. Nessa época, a censura agia, principalmente, junto às bibliotecas conventuais, pois, até então, havia poucas livrarias particulares e as tipografias ou comércios de livros eram inexistentes.

“Foram proibidas em Portugal e em suas colônias as obras das seguintes categorias:
1) os livros de autores ateus,
2) os de autores protestantes que combatessem o poder espiritual do Papa e dos bispos ou
atacassem os artigos da Fé Católica,
3) os que negassem a obediência ao Papa,
4) os livros de feitiçaria, quiromancia, magia e astrologia,
5) os que, apoiados num falso fervor religioso, levassem à superstição ou fanatismo,
6) os livros obscenos,
7) os infamatórios,
(…)
9) os que utilizam os textos das Sagradas Escrituras em sentido diferente do usado pela Igreja,
10) dos autores que misturassem artigos de fé com os de mera disciplina,
11) os que impugnassem os Direitos, Leis, Costumes, Privilégios etc da Coroa e dos Vassalos,
12) as obras “dos pervertidos filósofos destes últimos tempos…”,
13) os livros publicados na Holanda e na Suíça atribuídos a advogados do Parlamento da França
e que tratavam da separação entre o “Sacerdócio e o Império,”
14) todas as obras de autores jesuítas baseadas na “autoridade extrínseca da razão particular,”
15) os livros “compostos para o Ensino das Escolas Menores que forem contrários ao sistema estabelecido por lei anterior,”

A burocracia pombalina utilizava-se de um dos meios criticados aos jesuítas, a leitura de obras censuradas era permitida a um número restrito de funcionários encarregados de contestá-las. Os limites eram relativamente claros: autores científicos como Bacon, Galileu, Descartes, Newton, Leibnitz, Linneu,Quesnay ou Buffon eram recebidos pelo grupo político intelectual português e brasileiro; já sobre as obras dos “pervertidos filósofos”, contrárias ao Absolutismo e fiéis ao Iluminismo, constavamnautores como Voltaire, Montesquieu, Holbach, Mably, Rousseau ou Diderot.

Texto retirado do blog MANIA DE HISTORIA

terça-feira, 8 de junho de 2010

As Brumas de Avalon

As Brumas de Avalon é uma serie de ficção voltada ao misticismo, com uma visão diferente do convencional, mas com personagens como Artur, Lancelote, Morgana, Guenevere, entre outros presentes no universo Arthuriano.

A historia se passa na epoca em que ocorre o "atrito" da igreja cristã com o paganismo, onde a igreja tenta colocar sua verdade acima da verdade dos povos com a religião antiga.

Morgana é irmã de Artur e, seguindo os passos de Viviane - sua tia e protetora, senhora de Avalon - tenta fazer com que Avalon e a religião pagã não sumam de vez do mundo em que conhecemos, e para isso ela terá que fazer muitos sacrifícios.

Apaixonante e envolvente, a história nos dá uma visão diferente das historias Arthurianas convencionais. Mais mística e feminina, esta visão nos mostra com apaixonante descrição todas as tramas, guerras, amores, odios e sacrifícios de seus personagens.

Para quem ama as historias sobre Rei Arthur e os seus cavaleiros, gosta de histórias cheias de magia e de tramas bem definidas com personagens envolventes não pode deixar de ler esta serie.


A historia é dividida em quatro livros - A senhora da magia/A grande rainha/O gamo-rei/o prisioneiro da arvore.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Meia-noite no jardim do bem e do mal

Sabe quando você entra num sebo com o intuito de passar um tempo ali, olhando os livros, conhecendo, relaxando...ai enquanto fuça as prateleiras você encontra um livro que nunca ouviu falar mas que te chama a atenção, você lê a contra capa, da uma folheada, e se descobre com uma vontade enorme de lê-lo...pois foi o que aconteceu comigo e este livro!

É uma deliciosa historia policial, onde um jornalista de Nova Iorque, em uma de suas viagens, descobre uma cidade pequena e excentrica do Sul dos E.U.A e cheia de personagens interessantes, com historias bem peculiares, e é no meio deste ambiente peculiar que ele se envolve numa trama de assassinato.

Narrando com precisão e clareza a história e descrevendo com detalhes os personagens e o ambiente, o protagonista transforma este livro numa historia agradável de se ler ao mesmo tempo que nos deixa com vontade de conhecer mais e mais a historia e o ambiente da trama.

O jornalista e escritor John Berendt morou durante oito anos em Savannah - cidade núcleo da historia - e através de sua experiência e sua visão da cidade e seus moradores, além de sua visão jornalistica, escreveu um dos livros mais vendidos nos E.U.A, transformado posteriormente em filme, produzido e dirigido por Clint Eastwood, e protagonizado por John Cuzack.

É para se querer mais!

Meia-noite no jardim do bem e do mal
John Berendt
1994